Se escrevesse um livro de toda a minha história de vida, ela daria com certeza num drama. Em toda a minha vida desejei ter uma família como tantas outras, daquelas unidas. Desejei até que todos me dessem valor e me apoiassem nas etapas que poderia vir a ter. Que estivessem sempre comigo, mas infelizmente, hoje em dia, só posso contar comigo mesma e com meia dúzia de pessoas que persistem em ficar. Todas essas pessoas a quem chamei de família, hoje apontam-me o dedo por histórias inventadas e, tiram conclusões de mim que no modo geral não o são. É triste, é triste chegar a um ponto em que se perde o rumo, em que se precisa de apoio e de alguém que nos diga " é por ali ". Hoje, vejo-me forçada a sair da minha própria casa porque estou a mais e sem ter qualquer tipo de resposta às minhas perguntas, hoje vejo-me sozinha. Hoje vejo-me sem forças para seguir em frente. Todos os dias são assim, mais uns. Tento porventura pôr um sorriso na cara fingindo que tudo está bem mas por dentro tudo morre. Questiono-me diversas vezes o porquê de ter vindo ao mundo, o qual se destina a minha missão. Não é ser pessimista, é já ter chegado aos meus limites. Apostei tanto em tantas pessoas e são hoje essas mesmas que me viram as costas. São essas mesmas que hoje, me fazem ter dúvidas de todas as coisas e mais algumas. Quantos mais anos passam mais incertezas tenho. Afinal o Peter Pan sempre teve razão " crescer é das piores coisas " e para mim, tem sido a pior experiência da minha vida. Talvez tenha feito más escolhas nalgumas fases da minha vida e, pensado de uma forma injusta em relação a algumas pessoas. Errar é humano e cometi os meus erros. Sempre dei demasiado de mim a todas as pessoas que passaram na minha vida e mais dou àquelas que ainda cá estão. Sou o que sou e em todas as vezes, praticamente, saiu sempre magoada. Faço da família dos outros a minha, sinto neles o que não consigo sentir na minha, segurança, afecto e preocupação mas no fim, quando menos espero, " mandam-me embora ". (Se estivesses cá a minha vida seria diferente, sabes? Acho que eras a única que me sabia compreender realmente e que gostava verdadeiramente de mim. Sinto tanto a tua falta e preciso/sava de ti...) Sinto-me tão perdida. Tão, "vazia". Todos estes anos consegui vencer qualquer obstáculo que se punha, sempre consegui manter-me de pé mas hoje, não encontro qualquer solução. Não encontro o insuflável para amparar a queda, não sei se o que eu hoje penso, amanhã dará resultado. Por vezes ganhamos esperanças nas mínimas coisas. Fazem com que nós acreditemos naquelas " promessas " naqueles planos e quando acordamos para a realidade, nada passou de um sonho. Depois, é aquele tempo de se pôr tudo atrás das costas, selando cada pormenor. Era uma vez. Verdade seja dita, isto de crescer à força, tem muito que se lhe diga. É pensar mais com a cabeça do que com o coração, guardar sentimentos e ter rancor. É ir-se à luta, é fazer-se à vida tão cedo e tão inexperiente. É tão duro.

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